Um relatório divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) revela que o Brasil tem um déficit de R$ 500 bilhões em infraestrutura de transporte — valor que representa o investimento necessário para trazer a malha viária, ferroviária, portuária e aeroportuária do país ao nível adequado para suportar o crescimento econômico projetado para as próximas décadas.
O estudo, que levou dois anos para ser elaborado, analisou o estado de conservação e a capacidade de mais de 1,7 milhão de quilômetros de rodovias, 30 mil quilômetros de ferrovias, 37 portos públicos e 66 aeroportos federais.
Os resultados são preocupantes: 60% das rodovias federais apresentam algum tipo de deterioração, 40% da malha ferroviária está subutilizada por falta de manutenção, e vários portos operam acima de sua capacidade nominal, gerando filas e atrasos que custam bilhões à economia.
"A infraestrutura precária é um dos principais freios ao desenvolvimento econômico brasileiro. Ela encarece os produtos, reduz a competitividade das exportações e piora a qualidade de vida da população", disse o pesquisador do IPEA Eduardo Haddad, coordenador do estudo.
O relatório propõe um plano de investimentos de longo prazo, com metas claras para cada setor e mecanismos de financiamento que combinem recursos públicos e privados. Entre as recomendações está a criação de um fundo soberano de infraestrutura, alimentado por royalties do petróleo e dividendos de empresas estatais.
O governo federal reconhece o déficit, mas alega que as restrições fiscais limitam a capacidade de investimento público. A saída, segundo o ministério de Transportes, é ampliar as concessões ao setor privado, garantindo ao mesmo tempo que os projetos atendam ao interesse público.