Projeto do trem de alta velocidade Rio-São Paulo avança para fase de licitação

O governo federal publicou na última semana o edital de concessão do Trem de Alta Velocidade (TAV) entre Rio de Janeiro e São Paulo, um projeto que está sendo discutido há mais de 20 anos e que finalmente parece próximo de sair do papel. O vencedor da licitação terá 35 anos para operar o serviço, que deve transportar passageiros a velocidades de até 350 km/h.

O trajeto de 511 quilômetros entre as duas maiores cidades do país seria percorrido em aproximadamente 1h40, contra as 6 horas de viagem de carro ou as 5 horas de ônibus. O projeto prevê paradas em Campinas, São José dos Campos e Volta Redonda.

"Este é um projeto transformador para o Brasil. Vai integrar duas das maiores economias do mundo em um eixo de desenvolvimento sem precedentes", afirmou o ministro de Transportes, Renan Filho, durante a divulgação do edital.

O investimento estimado é de R$ 80 bilhões, tornando-o o maior projeto de infraestrutura da história do país. O governo prevê que o TAV transporte 35 milhões de passageiros por ano quando estiver em plena operação, gerando receitas suficientes para remunerar o investimento privado.

Consórcios de empresas brasileiras, europeias, chinesas e japonesas já manifestaram interesse em participar da licitação. A tecnologia de alta velocidade mais cotada é a japonesa Shinkansen, mas sistemas europeus como o TGV francês e o ICE alemão também estão na disputa.

Ambientalistas e especialistas em urbanismo pedem atenção para os impactos do projeto nas comunidades ao longo do traçado. "Precisamos garantir que o TAV seja uma oportunidade de desenvolvimento regional, não apenas um corredor para as elites", disse a urbanista Raquel Rolnik.

E
Eduardo Sampaio
Engenheiro e jornalista, escreve sobre infraestrutura, transporte e urbanismo.